Fiat CR.42 Falco

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O Fiat CR.42 “Falco” (Falcão) foi um caça biplano usado primariamente pela Regia Aeronautica Italiana (Real Força Aérea Italiana) durante a Segunda Guerra Mundial. Esta aeronave foi produzida pela Fiat, com base no anterior CR.32, e entrou ao serviço em diversas forças aéreas, nomeadamente a Belga, Sueca, Hungara e Espanhola. Com mais de 1 800 exemplares construídos, foi a aeronave italiana mais produzida a participar na Segunda Guerra Mundial e o último caça biplano a ser construído pela Fiat, representando em conjunto com o Gloster Gladiator as ultimas aeronaves da classe dos biplanos mais avançados.
A RAF andou sempre de olhos postos neste biplano devido à sua excelente manobrabilidade, chegando a declarar que " era de uma força excepcional" , embora estivesse já obsoleto perante os recentes aviões monoplanos mais rápidos e com melhor armamento.
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Ano
1939
Pais de Origem
Itália
Função
Caça
Variante
CR.42bis
Tripulação
1
Motor
1 x Motor radial Fiat A.74 RC38 de 14 cilindros
Peso (Kg)
Vazio
1782
Máximo
2295

Dimensões (m)
Comprimento
8.25
Envergadura
9.70 (6.5)
Altura
3.59

Performance (Km)
Velocidade Máxima
441
Teto Máximo
10210
Raio de ação
780
Armamento
2 × metralhadoras Breda SAFAT de 12.7 mm com 400 tiros, na fuselagem (armamento standard)
2 ×  metralhadoras Breda SAFAT de 12.7 mm nas asas (na versão Ter)
Suportes nas asas para duas bombas de até 100Kg
Países operadores
Italia, Alemanha, Belgica, Croacia, Secia, Reino Unido
Fontes
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GALERIA
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Fiat CR.42
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Fiat CR.42, Belgica 1940
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Fiat CR.42, Norte de Africa 1941
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Fiat CR.42
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Fiat CR.42
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Fiat CR.42
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HISTÓRIA
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O CR.42 foi um design evolutivo baseado no CR.32 anterior da Fiat, que por sua vez tinha derivado da série Fiat CR.30 criada em 1932. A Regia Aeronáutica tinha utilizado o CR.32 durante a Guerra Civil Espanhola, com grande sucesso, o que levou a Fiat propor um caça mais avançado construído en torno do novo motor radial Fiat A.74R1C.38 refrigerado a ar orientado para uma hélice metálica de três lâminas Fiat-Hamilton Standard 3D.41-1. As asas rígidas eram construídas numa liga de aço e duralumínio leve e cobertas com tecido.

A aeronave alcançava uma velocidade máxima de 438 km/h , a 5.300m e 342 km/h ao nível do mar. e era capaz de em 7 minutos e 20 segundos atingir os 6.000m de altitude.
Fiat CR.42 Falco  na Sicilia em junho de 1943,
antes da invasão aliada da noite de  9 julho
Apesar da configuração biplano, o CR.42 tinha um design moderno, com uma fuselagem em aço e incorporando uma carenagem NACA, para o seu motor radial, e um trem de aterragem fixo.

A asa superior tinha maior envergadura que a inferior, uma configuração conhecida como um «sesquiplane», que tornava a aeronave extremamente ágil. Esta configuração das asas, fazia com que o avião se tornasse mais resistente e muito mais manobrável, uma inovação alvo de elogios por parte de muitos pilotos. Porém o CR.42 não dispunha de qualquer blindagem de proteção e as aeronaves iniciais tinham um armamento pobre composto por duas metralhadoras Breda-SAFAT, uma de 7.7mm e outra de 12.7mm montadas na parte superior da carenagem do motor.

Logo após a sua introdução em 1939, foram desenvolvidas várias variantes. 

O CR.42bis cujo armamento standard passou a ser um par de metralhadoras de 12.7mm e o CR.42ter que para além do armamento standard tinha duas metralhadoras adicionais de 12.7mm em alvéolos (blisters) sob as asas inferiores. 

O CR.42CB (Caccia Bombardiere), eram CR.42 standard com suportes nas asas onde podiam transportar 2 bombas de 50 ou 100Kg.

Fiat CR.42 Falco em voo
O CR.42AS (Africa Settentioniale) tinham o motor otimizado para climas tropicais com filtros de areia e poeiras, tinham como armamento 4 metralhadoras de 12.7mm e suportes para duas bombas de até 100kg nas asas.

O CR.42CN (Caccia Notturna) configurado para caça noturno, dispunha de equipamento rádio, supressores de chamas do escape e pequemos holofotes de busca nas asas.

O CR.42B foi a versão de dois lugares para instrução, (modificação efetuada no pós guerra).

Não é certo quantos CR.42 foram construídos mas a estimativa mais provável aponta para um total de 1.819 aeronaves no total, incluindo 63, produzidas sob controle da Luftwaffe o 140 produzidas para exportação.

O Fiat CR.42 entrou ao serviço em maio de 1939, no 53° Stormo, da Regia Aeronáutica na Base Aérea de Caselle em Turim. 

Fiat CR.42, 1940
Quando a que Itália entrou na Guerra em 10 de junho de 1940, tinham sido entregues cerca de 300 aeronaves. O “Falco” foi usado na defesa de aeródromos, cidades, e das bases da Regia Marina (marinha real italiana) até à rendição da Itália aos aliados em 8 de setembro de 1943. No período da Guerra o Fiat CR.42 enfrentou o caça britânico Gloster Gladiator sobre Malta e mais tarde os Hawker Hurricane, às vezes com sucesso inesperado, devido a sua excecional capacidade de manobra. 

Um relatório da inteligência da RAF no final de outubro de 1940, distribuído para todos os pilotos e seus esquadrões, com cópia para primeiro-ministro, Winston Churchill e Gabinete de Guerra, declarava: 
“a manobrabilidade do CR.42, em particular sua capacidade de executar um rolamento extremamente apertado, causou grande surpresa aos outros pilotos e, sem dúvida, salvou muitos caças italianos da destruição." 

Após a capitulação de França, a Itália de Benito Mussolini focou-se na captura da Península Balcânica. Anexa a Albânia em abril de 1939, e no inicio de 1940 prepara um ataque à Grécia. A invasão, começou a 28 de outubro, apoiado por um poderoso grupo aéreo onde constavam mais de 160 caças,  Fiat CR.32, CR.42 e CR.50, baseados em em Tirana, Valona e Girokastro. A força aérea grega ultrapassada em numero, de mais de três para um, dispunha basicamente de PZL R.24 e algumas unidades de Gloster Gladiador, e Bloch MB.151, foi presa fácil para os Fiat italianos. Apesar da vantagem numérica dos italianos em terra e no ar, os gregos rapidamente pararam o seu avanço, e em vários locais empurrando-os de volta ao território albanês e forçando a Alemanha a avançar para a Grécia em apoio aos seus aliado italianos.
Fiat CR.42,  capturado por soldados britanicos

Seria no entanto na África Oriental Italiana ( colónias da Abissínia, Eritreia e Somália Italiana e Etiópia) que o ágil biplano italiano teria melhor desempenho. Durante essa campanha curta e difícil, os caças Fiat destruíram um grande número de aviões da Royal Air Force e South African Air Force (Hawker Hart, Gloster Gauntlet e Gloster Gladiator), no ar e no solo, incluindo alguns Hurricanes.

No final da Guerra apenas 64 Fiat CR.42 tinham sobrevivido em boas condições. Alguns deles foram enviados para centros de formação da nova Força Aérea Italiana. Cerca de duas dúzias foram alterados para dois lugares com comandos duplos (CR.42B). Os últimos exemplares do caça biplano CR.42 foram abatidos ao serviço em 1950.

Existem atualmente quatro aeronaves Fiat CR.42 preservadas. Uma em exposição no Royal Air Force Museum em Hendon, outra no Swedish Air Force Museum perto de Linköping, uma terceira no Italian Air Force Museum, em Vigna di Valle e a quarta é uma aeronave sueca atualmente em restauração pelo Fighter Collection em Duxford.
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DESENHOS
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PERFIL
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FONTES
VER TAMBÉM
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