IAR 80/81 - O esquecido caça romeno

.
.

.
.
O IAR 80/81 foi um caça, projetado e produzido na Roménia no período que antecedeu início da segunda guerra mundial pela Industria Aeronáutica Romena (IAR). Quando voou pela primeira vez, em 1939, ele era comparável em design e performances aos melhores caças contemporâneos, como o alemão Messerschmitt Bf 109, ou o britânico Hawker Hurricane, e superior ao holandês Fokker D.XXI, ao polaco PZL P.24 e aos soviéticos Polikarpov I-153 e I-16. No entanto, problemas de produção e a dificuldade na obtenção do seu armamento atrasaram a sua entrada para o serviço da FARR (Real Força Aérea Romena) até 1941. Quando se tornou disponível tinha já sido ultrapassado por muitas das aeronaves em uso pelos beligerante, mas era ainda superior à maioria dos caças soviéticos que inicialmente enfrentou. No decorrer da guerra enfrentaria com algum sucesso inicial as forças de bombardeiros da USAAF que atacaram a Roménia mas foi impotente quando teve que enfrentar os caças de escolta de longo alcance americanos em 1944.

.
.

.

.
.
Ano
1939
Pais de Origem
Roménia
Função
Caça
Variante
IAR 81C
Tripulação
1
Motor
1 x  IAR K14-1000A de 14 cilindros arrefecido a ar com 1025cv
Peso (kg)
Vazio
2200
Máximo 
2980

Dimensões (m)
Comprimento 
8,97
Envergadura
11,00
Altura 
3,54
Performance 
(km/h; m; km)
Velocidade
560
Teto Máximo
10000
Raio de ação
730 (1330 com tanques externos
Armamento
2 x canhões  MG 151/20 de 20 mm 
4 x metralhadoras FN de 7.92 mm  
1 x bomba de 225 kg sob a fuselagem (IAR 81A) ou,
2 x bombas de 50kg nas asas
Países operadores
Roménia
Fontes
En.wikipedia.org
.
GALERIA
.
IAR 80
.
IAR 80A
.
IAR 80A
.
IAR 81
.
IAR 81C
.
IAR 80 Muzeul Naţional al Aviaţiei Române 
.
HISTÓRIA
.
Em meados da década de 1930 a maioria das aeronaves da FARR ou ARR Aeronautica Regala Romana, (Real Aeronáutica Romena) eram obsoletos, e por isso a IAR (Industria Aeronáutica Romena) propôs, em novembro de 1936 ao Ministério do Ar e Marinha, um projeto para um caça monoplano de asa baixa e construção totalmente metálica projetado pelos professores Ion Grosu e Ion Cosereanu, e engenheiros Gheorhe Zotta, Viziru Grosu e Ion Wallner, e que seria equipado com um motor Junkers Jumo 211Da de fabrico alemão.

PZL P.24
Indústria Aeronautică Română (IAR) fora um fabricante de aeronaves, que, juntamente com a Societatea pentru Exploatări Tehnice (SET) e a Intreprinderea de Construcţii Aeronautice Romaneşti (ICAR), surgira na Roménia nas décadas de 1920 e 1930 sob patrocínio do governo Romeno que pretendia tornar o país autónomo na produção aeronáutica para as suas forças armadas.

Em 1930, o governo romeno emitira uma especificações para um novo caça mas embora a IAR tivesse apresentado vários projetos para responder à especificação, o contrato para o fornecimento de 50 aeronaves acabaria por ser entregue ao fabricante estatal polaco PZL (Państwowe Zakłady Lotnicze) com uma versão modificada do seu PZL P.11, que seriam entregues em 1934. 

Um segundo contrato para o fornecimento de outras 50 aeronaves seria disputado entre o projeto do IAR 14 e o PZL P.24, e igualmente ganho pela empresa polaca. 

Os projetos da IAR não entraram em produção, no entanto, a construção das aeronaves PZL e respetivos motores Gnome-Rhone 14K acabaria por ser realizada sob licença nas suas unidades de montagem resultando daí uma capacidade acrescida para continuar a desenvolver os seus próprios projetos mesmo que nunca viessem a entrar em produção.

Uma equipa de projetistas liderada pelo Professor Ion Grosu continuou a desenvolver projetos de aeronaves de combate convencido que o design de asa baixa do IAR 24 era melhor que os de asa de gaivota das aeronaves PZL. Beneficiando do conhecimento obtido com a construção das aeronaves PZL, a equipa estudou um novo caça procurando incorporar numa fuselagem do PZL P.24 modificada uma asa baixa, daí resultando o IAR 80.

Protótipo do IAR 80
O contato foi finalmente assinado e a construção do protótipo foi iniciada em finais de 1937. Porem os alemães falharam a entrega dos três motores que haviam prometido entregar no final do ano e por isso o protótipo foi equipado com o único motor disponível, um IAR K14-II C32 de 870cv (um Mistral Major Gnome-Rhône 14K II, construído pela IAR sob licença), que pesava menos 200 quilos mas era muito menos potente para alem de ser um crónico consumidor de óleo (os motores alemães apenas chegariam em 1939).

O primeiro protótipo foi construído lentamente e por isso apenas ficou concluído em abril de 1939, altura em que realizou o primeiro voo. Nos voos de teste do protótipo que se seguiram a aeronave demonstrou uma performance impressionante para a época. Conseguiu atingir os 510 km/h a 4000 metros de altitude, com um teto de serviço de 11000 metros, atingindo os 5000 metros em apenas 6 minutos, uma taxa de subida respeitável, embora inferior à dos seus contemporâneos Supermarine Spitfire ou Messerschmitt Bf 109. Em comparação com o PZL P.24E era quase 450 kg mais leve e 80 km/h com mais rápido, usando o mesmo motor. Demonstrou também um bom comportamento em voo e uma boa manobrabilidade. 

O protótipo do IAR 80 era um monoplano de asa baixa com superfícies de controlo convencionais. As asas eram retangulares de pontas arredondadas, com o bordo de fuga ligeiramente afunilado para a frente com pequenos retalhos executados a partir da fuselagem onde corriam compridos ailerons, e com um perfil, que segundo algumas fontes tinha sido copiado diretamente dos bombardeiros italianos Savoia-Marchetti SM.79, que tinham entretanto sido adquiridos pela FARR, resultando daí uma asa pouco adequado a elevadas velocidades mas que dava à aeronave uma elevada manobrabilidade. 

IAR 80, a primeira celula de série
A fuselagem de secção circular à frente tornando-se oval atrás do cockpit derivava claramente da do PZL P.24, tinha uma construção metálica mista, de viga armada à frente e monocoque à retaguarda com longarinas e cavername que terminava numa empenagem clássica que pouco diferia da do PZL P.24.

O motor radial IAR K14 de catorze cilindros arrefecido a ar, que movia uma hélice de três pás de passo variável VDM 9, tinha logo atrás o tanque de óleo e dois tanques de combustível com capacidade total de 403 litros, o que colocava o cockpit, logo a seguir, numa posição bastante afastada da hélice o que podia ser considerado uma desvantagem, uma vez que o piloto quase não via nada na frente dele em ascensão ou durante a manobras de descolagem. O trem de aterragem principal retraia para dentro das asas mas na cauda apenas dispunha de um simples patim não retrátil.

O protótipo estava armado com duas metralhadoras Browning FN de 7,92 milímetros, mas dispunha de provisão para a instalação de mais duas, um total de quatro metralhadoras com 2440 munições por arma. Os instrumentos do cockpit, incluindo a mira seriam importados de vários fornecedores estrangeiros num este esforço, já em período de guerra, de manter o seu fornecimento de acordo com as necessidades e evitar os constrangimentos provocados pelo conflito.

Uma série de pequenos problemas surgiram durante a fase do protótipo e foram tratados no ano seguinte. Para melhorar a potência, o desenho foi atualizado para montar a versão IAR K.14-III C36 do motor com 930cv, que era, no entanto mais pesada que o C32, o que exigiu que a fuselagem traseira fosse esticada para mover o centro de gravidade de volta para a posição correta. O espaço extra na fuselagem permitiu que os tanques de combustível aumentassem para 455 litros e ao mesmo tempo as asas foram ampliadas e a empenagem fosse revista para retirar os montantes originais. Um efeito colateral foi a deslocação do cockpit mais para trás tornando a visibilidade do piloto para a frente pior. Para obviar esse problema o assento do piloto foi elevado e foi adicionada uma canópia de bolha.

O protótipo atualizado foi testado de forma competitiva contra o Heinkel He 112 , que chegou à Roménia como o início de uma encomenda potencialmente grande. Embora o He 112 fosse mais moderno e muito mais bem armado, com duas metralhadoras e dois canhões de 20 milímetros, a FARR acabaria por encomendar 100 IAR 80 em dezembro de 1939, e apenas 30 He 112. Em agosto de 1940 encomendaria mais 100 IAR 80, a que se seguiriam outras duas encomendas de 50, em 5 de setembro de 1941 e 11 de abril de 1942, e depois outras 100 em 28 de maio de 1942, seguidas por uma de 35 do para a versão IAR 81C em Fevereiro de 1943, com mais 15 em janeiro de 1944.

IAR 80,  em manutenção de campo
O primeiro IAR 80 de serie saiu da linha de montagem em Brasov, na primavera de 1940, e até o final do ano tinham sido entregues a FARR, 20 caças que a partir daí passaram a equipar as principais unidades de caça da FARR.

Um major piloto da Luftwaffe que testou o IAR 80 em março de 1941 referiu sobre o mesmo que tinha um comportamento muito bom durante a descolagem e aterragem, era mais lento apenas 20 a 30 km/h que o Bf-109E, e tinha uma taxa de subida e manobrabilidade equivalentes. Em um mergulho era ultrapassado pelo Bf-109E, por não possuir um regulador de passo de hélice automatizado, mas apesar disso era um caça adequado às necessidades modernas.

  • IAR 80
A produção do IAR 80 começou imediatamente, mas o armamento para além de ser demasiado ligeiro para fazer frente às aeronaves modernas tornou-se um serio problema. O modelo de produção previa ter seis metralhadoras Browning FN de 7,92 milímetros de construção belga, mas a invasão Alemã da Bélgica em 1940 suspendeu o fornecimento daquela arma e consequentemente a produção da aeronave foi interrompida. Os alemães só permitiram a entrega das armas à Roménia depois desta se juntar ao Eixo em novembro de 1940. Como resultado, o primeiro lote de 20 IAR 80 apenas saiu da linha de produção em janeiro de 1941 sendo entregue à FARR em fevereiro mas mesmo assim o armamento permaneceu inadequado, de modo que os modelos de produção apenas levavam quatro armas. No seguinte lote de 30 aeronaves foi instalado um motor K14-IV C32 de 960cv mas o poder de fogo foi mantido apesar de considerado manifestamente insuficiente.

  • IAR 80A 
IAR 80A, Gr. 9,  1943
Em abril de 1941, os romenos estavam firmemente na esfera alemã e, como resultado, foi-lhes possível obter as armas FN necessárias. A produção passou a incorporar nas aeronaves as seis armas inicialmente previstas, e novas melhorias, como vidro blindado no para-brisas. Para alem disso incorporou uma nova versão do motor o IAR K.14-IV C32 1000A de 1025cv cuja potencia adicional obrigou a um reforço adicional da estrutura da fuselagem. Embora o IAR 80A tivesse um motor mais potente, o peso adicional das armas, munições e blindagem consumiu esse aumento de potência pelo que a velocidade máxima apenas foi ligeiramente alterada para 509 km/h. No entanto, a nova versão era claramente melhor que a anterior. A construção em serie do IAR 80A foi iniciada a partir da 51ª aeronave mas em 22 de junho de 1941, quando a URSS invadiu a Roménia apenas oito unidades tinham saído da linha de produção. Como as armas FN permaneciam escassas ao longo ao longo do final de 1941 e início de 1942, as armas foram retiradas dos PZL e outras aeronaves da FARR para serem instaladas nos IAR 80A.

  • IAR 80B 
O combate à União Soviética mostrou que até as seis das armas FN eram insuficientes para fazer frente aos caças da VVS e por isso foram retiradas metralhadoras FN de 13,2 milímetros dos Savoia-Marchetti SM.79 da FARR para instalar numa nova asa alongada a adaptar ao IAR 80. O resultado foi o IAR 80B, que também introduziu novos rádios, uma área onde a aeronave demonstrara ter problemas. Um total de 50 aeronaves da nova versão foram concluídas entre junho e setembro de 1942, incluindo 20 células que originalmente deveriam ser IAR 81A. Os últimos 20 foram também capazes de transportar uma bomba de 50 kg ou um tanque de queda de 100 litros sob cada asa. 

  • IAR 81
Ainda antes do inicio da guerra na frente oriental em 1941 a FARR tinha a intenção de substituir suas aeronaves de ataque ligeiro e bombardeiros. A primeira função era ocupada pelo biplano IAR 37 (e mais tarde 38 e 39 modelos), e a segunda pretendia-se viesse a ser ocupada por Junkers Ju 87 a adquirir aos alemães. Mais uma vez, os alemães ignoraram os pedidos da FARR deixando os romenos à procura de uma aeronave. A modificação do IAR 80 existente como um bombardeiro de mergulho foi vista como uma opção razoável, mais fácil do que projetar uma aeronave totalmente nova para alem de ter benefícios óbvios na produção.

IAR 81
O resultado foi o IAR 81, uma alteração menor aos modelos IAR 80A que estavam em produção, adicionando um suporte de bomba articulado sob a linha central da fuselagem para lançar uma bomba de 225 kg fora do arco da hélice (muitos bombardeiros de mergulho usavam um sistema similar). O lançamento da bomba era feito através de um mergulho de cerca de 3000 metros para os 1000 metros a uma velocidade de aproximadamente 470 km/h. 

Foram encomendados cinquenta, IAR 81 em meados de 1941, mas depois de 40 terem sido entregues, foi adicionados um suporte sob cada asa para uma bomba de 50 kg que também poderiam transportar tanques de queda de 100 litros, permitindo que os IAR 81 fossem usados ​​como caças de longo alcance.

Os pilotos não apreciavam a aeronave, pois o arrasto provocado pelo suporte de bomba sob a fuselagem diminuía significativamente as suas performances.

  • IAR 81A, B e C, e IAR 80C 
Tal como a versão caça também o IAR 81 passou pelas mesmas dificuldades no armamento. Assim à medida que as armas iam sendo obtidas as células foram sendo atualizados da mesma forma. Os 81A tinham um complemento de quatro metralhadoras FN de 7,62 milímetros e duas e 13,2 milímetros. A única característica distintiva entre o IAR 80B e o 81A era a engrenagem de suporte e lançamento de bombas da fuselagem deste ultimo, e ambos foram construídos na mesma linha de montagem.

IAR 80C, visível o longo cano do canhão MG FF/M na asa
No entanto a disponibilidade das metralhadoras FN de 13,2 milímetros era limitado e por isso logo que foi possível foram substituídas por canhões MG FF/M de 20 milímetros (a versão alemã do suíço Oerlikon FF), originando o IAR 81B, que devido à nova arma teve uma asa redesenhada. Os 60 IAR 81B encomendados destinavam-se a ser bombardeiros de mergulho, porém acabariam por ser entregues como caças designados por IAR 80C (uma designação que aparece pintada na cauda desta versão), sem o suporte de bombas da fuselagem. Após a conclusão das primeiras 10 unidades em dezembro de 1942, foram adicionados tanques auto-selantes juntamente com uma blindagem de proteção do piloto melhorada, tendo a entrega das aeronaves sido concluída em abril de 1943.

  • IAR 81C 
A versão final em tempo de guerra foi o IAR 81C, que alterou novamente o armamento, substituindo os MG FF/M por canhões genuinamente alemães os Mauser MG 151/20, de 20 milímetros que equipavam um grande numero de aeronaves alemãs. A encomenda para 100 células IAR 81C foi colocada em maio de 1942, incluía todas as atualizações anteriores da série 81, mas com o suporte da bomba da linha central removido para ser usado como caça. Uma encomenda adicional de 35 células foi colocada em fevereiro de 1943, e uma outra para mais 15 em janeiro de 1944. Essas aeronaves destinavam-se principalmente a substituir as perdas dos modelos anteriores, uma vez que a FARR, conseguira já um fornecimento de Messerschmitt Bf 109G.
  • IAR 80M
IAR 80M, após a guerra
Em 1944, as unidades de combate da FARR incluíam exemplares de modelos IAR 80A, B e C, bem como IAR 81A, B e C. A fim de aumentar o numero de caças disponíveis bem como simplificar a logística e a manutenção, em meados de 1944 foi conduzido um programa de atualização de todas as versões IAR 80 no ativo da FARR para o padrão IAR 81C, com um armamento composto por dois canhões MG 151/20 e quatro metralhadoras FN de 7.92 milímetros. Os modelos A e B resultantes dos 80 e 81 tornar-se-iam os 80M e 81M respetivamente.

  • IAR 80DC 
Após o final da Guerra os IAR 80 permaneceram no serviço da FARR até 1949, quando foram substituídos por Lavochkin La-9 e Ilyushin Il-10 de fabrico Soviético. As células dos IAR 80 com menor numero de horas de voo foram modificadas, sendo removido um dos tanques de combustível na frente do cockpit e adicionado um segundo assento, obtendo assim uma aeronave de instrução que seria designada por IAR 80DC. Estes foram usados ​​por pouco tempo sendo substituídos no final de 1952 por Yakovlev Yak-11 e Yakovlev Yak-18 .

IAR 80DC
Após a ocupação soviética da Romênia , todos os IAR 80 remanescentes foram substituídos por aeronaves de origem soviética e desmantelados. Nenhum exemplar original completo sobreviveu. Após a queda do regime comunista um IAR 80 foi reconstruído, pintado nas suas cores originais do período 1941-1944 e exibido na mostra internacional de aeronáutica romena Mihail Kogălniceanu, perto de Constanţa . Um outro IAR 80 reconstruído a partir de peças de um IAR 80DC pode ser visto no Muzeul Naţional al Aviaţiei Române em Bucareste.

  • História operacional
Quando a Operação Barbarossa começou, os IAR 80 que equipavam três esquadras da FARR foram encarregues de apoiar os 3º e 4º Exércitos da Roménia implantados no flanco sul da Frente Oriental. 

Em 22 de junho de 1941, durante o primeiro dia da ofensiva, o IAR 80 tive o seu batismo de fogo, conseguindo uma única vitória aérea em quatro combates aéreos separados com aeronaves soviéticas. 

IAR 80C do Gr. 6, no aeródromo Popesti
Leordeni Bucuresti, janeiro, 1944
No final de 1941, 20 IAR 80/81 tinham sido perdidos em combate ou acidentes mas durante 1942, a indústria da aviação romena atingiu a sua maior produção, de modo que a Real Força Aérea da Romena pode equipar com o IAR 80/81 cerca de nove grupos de caça alguns dos quais participaram na primeira fase da Batalha de Estalinegrado em apoio das forças alemãs.

No Verão de 1943 com o intensificar dos ataques aéreos da USAF em território romeno, todas as forças da FARR regressaram à Roménia para serem concentrados na defesa aérea. Os ataques da USAAF eram direcionados particularmente para as refinarias de petróleo de Ploieşti , e em 1 de agosto de 1943, o IAR 80 enfrentou o bombardeiro pesado Consolidated B-24 Liberator pela primeira vez. Nesse dia 178 B-24 da USAAF baseados no Norte de África, tomaram parte na operação Tidal Wave atacando em vagas sucessivas as instalações petrolíferas romenas. Grupos de caça da FARR equipados com IAR 80/81, Bf 109G, e Bf 110 enfrentaram os bombardeiros da USAF reivindicando 25 vitórias certas e prováveis ​​com apenas duas perdas, um IAR 80B e um Bf 110C. Os americanos perderam em combate ou no regresso 51 bombardeiros. Apenas 89 atingiram as suas bases, e desses apenas 31 estavam em condição de regressar ao combate.

IAR 80  a abater um P-38 da USAAF,
Imagem alegadamente da imprensa da epoca
No ano seguinte a 10 de junho de 1944, os IAR 80 participaram numa grande batalha aérea quando a USAAF atacou Ploieşti com 36 bombardeiros Lockheed P-38 Lightning, escoltados por 39 caças P-38 Lightning. Os IAR 81C da Grupul 6 da FARR, e caças da I./JG 53 e 2./JG 77, da Luftwaffe intercetaram a grande formação americana a cerca de 2000 metros de altitude, uma altitude em que os IAR 80 tinham vantagem sobre os P-38.

A USAAF perdeu 22 ou 23 P-38 naquele dia, com os romenos a reivindicarem 24 vitórias e apenas 3 perdas, o que é contrariado pelos americanos que reivindicaram 23 vitórias.

A USAAF nunca mais repetiria o perfil da missão de bombardeio de mergulho com P-38, mas, durante 1944, as aeronaves da USAAF intensificaram os ataques. sobre a Roménia. 

Entre 04 de abril e 18 de agosto de 1944 os Aliados retomaram a campanha de bombardeamento sobre a Roménia. Além de refinarias de Ploiesti os ataques visavam outras infraestruturas no sul do país como depósitos de combustível, fábricas etc. Os bombardeiros da USAAF descolavam do sul da Itália muitas vezes escoltados por caças P-51 Mustang e depois de fazer missões sobre a Roménia iam reabastecer na Ucrânia a partir de onde voltavam a atacar alvos na Roménia para só então regressar às bases na Itália. Estas missões de cooperação entre os EUA e a URSS, ficariam conhecidas como Operação Frantic e tiveram também a participação de forças da RAF a partir de bases em Inglaterra. 

A partir do momento em que os bombardeiros passaram a ser escoltados pelo caça de longo alcance North American P-51 Mustang os IAR 80/81 da FARR viram-se impotentes perante o moderno adversário. Por causa de seu fraco motor o IAR 80/81 era presa fácil para as escoltas de P-51 Mustang nas altas altitudes, para onde se tinham passado a realizar os combates aéreos. 

Num período de quatro meses, as três esquadras da FARR que se mantinham equipadas com o IAR 80/81, perderam 36 pilotos, um numero que excedeu largamente o número de vítimas sofridas nos dois anos e meio anteriores de luta contra os soviéticos. Por causa destas grandes perdas, todas as unidades de IAR 80/81 foram retiradas do combate contra os americanos em julho de 1944 e os pilotos convertidos para o mais moderno Bf 109G-6.

Destroços de um IAR 80, inspecionado por soldados soviéticos
Em 23 de agosto de 1944 o rei Mihai (Miguel I), que inicialmente tinha sido em grande parte um testa-de-ferro, liderou um bem sucedido golpe com apoio de políticos de oposição e do exército, depôs a ditadura de Antonescu e colocou os abatidos exércitos da Roménia no lado dos Aliados. A Roménia sofreu grandes baixas adicionais enfrentando os alemães na Transilvânia, Hungria e Checoslováquia. Neste período alguns IAR 80 foram usados para atacar as colunas alemãs em retirada, fortalezas ou aviões de transporte, com reforços. E mais tarde foi usado nas operações militares na Transilvânia, no entanto, sofreram pesadas baixas contra os caças alemães e as modernas armas antiaéreas (Anti Arcraft Artillery, AAA ou Triple-A). Em 30 de setembro a produção do IAR 80 cessou. 

As unidades de IAR 80 sobreviventes foram relegadas para o papel secundário de ataque ao solo, realizando a última missão em tempo de guerra em 8 de maio de 1945. 

Durante toda a guerra, o IAR 80/81 terá obtido 539 vitórias confirmadas e 90 prováveis, em combate aéreo e 168 no solo, somando cerca de 220 perdas em combate.


DESENHOS
.


PERFIL
.

FONTES
REVISÕES E RECURSOS ADICIONAIS
.
  • Publicação e Revisões
# Publicado em 2017-06-17 #
  • Recursos Adicionais
#
#




Enviar um comentário